terça-feira, 7 de abril de 2015

Um roteiro de fé e adrenalina pelas igrejas secretas da Etiópia

Audrey Scott e Daniel NollDa BBC Travel - 12 março 2015 – do site da BBC

Com seus penhascos, formações rochosas surreais e torres de pedra, as montanhas Gheralta, no norte da Etiópia, lembram a paisagem dos desertos do sudoeste dos Estados Unidos. Com uma única diferença: empoleiradas no alto e escondidas nesses paredões estão mais de 30 igrejas etíopes ortodoxas, escavadas em cavernas e com mais de mil anos.

Descrição:  Audrey Scott e Daniel Noll/BBC
A localização remota e de difícil acesso desses templos tinha dois objetivos: trazer os fiéis para mais perto do Paraíso e sumir da vista de exércitos invasores que cruzavam os vales embaixo.
Para poder ver de perto essas igrejas, os visitantes precisam percorrer cânions, escalar paredões de arenito sem equipamentos e atravessar desfiladeiros – uma incursão cultural que não é para fracos. As autoridades recomendam que os visitantes contratem um guia local que conheça bem a geografia das montanhas Gheralta, sua história, sua cultura e sua língua. Conheça um pouco mais sobre este lugar extraordinário nas imagens abaixo. As fotos são de Audrey Scott e Daniel Noll, da BBC.

Esculpida na pedra
Depois de uma hora de caminhada, incluindo a escalada de uma parede de 6 metros, chegamos ao templo Maryam Korkor. Longe da vista de quem atravessa o vale, essa construção semi-monolítica (parcialmente anexada ao penhasco) tem uma fachada simples que protege seu interior de 17 metros de comprimento, entalhados na montanha.

Cristo 'no útero'
Dentro de Maryam Korkor, pilares cruciformes e arcos de 6 metros de altura estão cobertos com afrescos religiosos feitos com tintas naturais. Historiadores da arte acreditam que eles datem do século 17, por causa de algumas características bizantinas, como a imagem de Cristo no ventre de Maria.

Poleiro precário
Aba Tesfa Silassie, de 78 anos, é um monge etíope ortodoxo que vive há 63 anos nesse local e cuida das igrejas de Maryam Korkor e Daniel Korkor. Ele raramente caminha até os vilarejos próximos. Durante nossa estadia, alguns meninos locais trouxeram água e alimentos para ele, em troca de lições sobre a Bíblia.


Educação em imagens
Engatinhamos por uma pequena porta para entrar na igreja de Daniel Korkor, uma ambiente com duas salas cujos teto e paredes são pintados com pigmentos naturais extraídos de flores e frutos silvestres. O estilo aqui é mais simples do que em outros templos de Gheralta. Até o século 20, apenas monges e padres eram alfabetizados. A maioria das pessoas aprendia a história da Etiópia e os ensinamentos da Bíblia através de afrescos como este.

Planícies panorâmicas
A vista da planície de Hawzien a partir de um penhasco perto de Daniel Korkor. Segundo nosso guia, mulheres locais costumam percorrer a tortuosa trilha de 40 a 80 dias depois de dar à luz, com seus bebês a tiracolo, para batizá-los na igreja. O costume já dura mil anos.

Para o alto e avante
Para se chegar à igreja de Abuna Yemata Guh, é preciso superar um paredão de arenito com cerca de 7 metros de altura. Em um gesto de respeito, tivemos que tirar os sapatos, pois já estávamos no terreno sagrado do templo. Descalços, sem a ajuda de cordas ou qualquer instrumento de escalada, nossa subida pareceu realmente um ato de fé. Moradores locais vão para as trilhas e se oferecem para ajudar os visitantes a subir em troca de algum dinheiro.

Abuna Yemata Guh
Para chegar ao templo, ainda tivemos que atravessar uma ponte natural de pedra pendurada sobre um desfiladeiro de 250 metros de altura. Cruzamos então outra ponte de madeira e encontramos a entrada. A visão do interior compensou a adrenalina do caminho: no teto, uma pintura mostra nove dos 12 apóstolos, com os outros três em uma parede. Como em outras igrejas, os afrescos estão muito bem preservados, muito por causa de sua localização remota.

Por que os terroristas do Al Shabab matam cristãos?

Guga Chacra comenta as ações do Al Shabab, grupo terrorista que recentemente matou 147 jovens cristãos em uma universidade no Quênia.

GUSTAVOCHACRA 07 Abril 2015 | 10:49
O Al Shabab é o único dos grupos terroristas que dizem agir em nome do islamismo que mata apenas cristãos em seus recentes atentados terroristas. Foi assim nos atentados no Quênia contra um shopping e, na semana passada, contra uma universidade, matando 147 estudantes cristãos, em um dos episódios mais grotescos e deprimentes do século 21.
O ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, tem como principais alvos muçulmanos, como os xiitas do Iraque, sunitas ou alauítas pró-Assad na Síria e os curdos. Verdade, também leva adiante um genocídio de cristãos assírios e de yazidis. Mas não mata especificamente cristãos. A maior parte de suas vítimas é muçulmana.
O Boko Haram, na Nigéria, mata indiscriminadamente cristãos e muçulmanos. A Al Qaeda, em seus atentados, matava quem estivesse no alvo do atentado, independentemente da religião – dezenas de muçulmanos foram mortos no 11 de Setembro, por exemplo.

O Al Shabab, no passado recente, também matava muçulmanos. Na verdade, ainda mata. Mas na Somália, um país quase 100% islâmico. Milhares foram mortos nas ações do grupo em cidades como Mogadishu. Noto que os alvos são tanto os muçulmanos sufistas como os sunitas – o grupo segue a vertente wahabbita do islamismo sunita, a mesma praticada pela Arábia Saudita. Com a ofensiva da União Africana, apoiada pelos EUA, o Al Shabab se enfraqueceu internamente na Somália. E o grupo, sem bases, sem portos e sem cidades importantes, decidiu se focar no vizinho Quênia, que comanda as tropas de paz no território somali. Buscando não alienar a população muçulmana queniana, decidiu se focar nos cristãos quenianos em seus atentados, forçando as vítimas a dizerem passagens do Alcorão – se não soubessem, eram mortas. Esta estratégia não tem funcionado em atrair muçulmanos do Quênia, que não concordam com as táticas grotescas e sanguinárias do Al Shabab e condenam esta organização terrorista. Mas obteve sucesso em provocar divisões na sociedade queniana. Atritos entre muçulmanos e cristãos podem aumentar. E alguns mais radicais podem se associar ao grupo terrorista, hoje com entre 3 mil e 7 mil membros. Para completar, o Al Shabab, com as derrotas, tem perdido membros que preferem lutar ao lado do ISIS no Iraque e na Síria. Com os ataques, o grupo tenta passar uma imagem de que segue forte, embora esteja enfraquecido. Este fenômeno de aumento do terrorismo como tática de desespero tende a afetar também o ISIS, com as recentes derrotas do grupo no Iraque – na Síria, o cenário é mais complexo.

terça-feira, 24 de março de 2015

Uma mensagem assinada com perdão



Uma belíssima iniciativa de jovens árabes em declarar, através desta CARTA ASSINADA COM PERDÃO, o amor de Deus e o que a Bíblia diz sobre o sofrimento e perseguição dos cristãos. 
(Créditos: http://euoropelonortedafrica.blogspot.com.br/)

Muçulmano interrompe imã e defende EI em mesquita no Rio de Janeiro

Durante ministração na Mesquita da Luz no Rio de Janeiro, muçulmano jihadista interrompe ministração do imã e defende o Estado Islâmico, diante da perplexidade dos demais fiéis. veja no vídeo abaixo.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Guga Chacra analisa atentado na Tunísia

Publicado no blog de GUSTAVO CHACRA no ESTADÃO, em 18 Março 2015

 1. A Tunísia, ao lado do Líbano, é uma das raras democracias no mundo árabe – o Kuwait também tem um modelo particular de monarquia constitucional que o aproxima de uma nação democrática.
2. A Tunísia, historicamente, sempre foi uma nação liberal para os padrões da região. Inclusive, foi um dos primeiros países do mundo a permitir o direito ao aborto, ainda nos anos 1960 – o Brasil, depois de cinco décadas, ainda não permite e o tema nem foi parte do debate nas últimas eleições presidenciais.
3. A Tunísia é majoritariamente muçulmana sunita (99%), com minúsculas minorias religiosas. Não enfrenta, portanto, os problemas sectários do Líbano, Síria e Iraque, que são nações sectárias. Além disso, não possui vertentes conservadoras do islamismo sunita, como a Arábia Saudita. Trata-se de uma sociedade secular.
4. A Tunísia tem um perfil mediterrâneo e uma proximidade não apenas cultural, mas também geográfica com o sul da Europa. Turistas europeus sempre visitaram o país como destino turístico por sua história (a Tunísia é onde ficava Cartago) e por suas belezas naturais.
5. A Tunísia foi o berço da Primavera Árabe com os protestos que levaram à queda de Ben Ali. Não houve conflito e o ditador deixou o cargo sem violência. Eleições parlamentares e presidenciais já foram realizadas.
6. A Tunísia tem uma renda per capita de US$ 4,3 mil dólares. Inferior à vizinha Argélia (US$ 5,3 mil), rica em petróleo, mas superior à do Marrocos (US$ 3 mil)
7. A Tunísia, apesar das liberdades, tem sido um terreno fértil de recrutamento para o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. Milhares foram lutar na Síria e no Iraque. Por que? Difícil explicar.
8. A Tunísia foi palco, nesta quarta, de uma atentado terrorista em um museu ao lado do Parlamento, matando 19 pessoas, sendo 17 estrangeiros, além dos dois atiradores. Não se sabe quem foram os responsáveis
9. A Tunísia será afetada pelo atentado? Sim. Certamente estrangeiros pensarão duas vezes antes de visitar o país. O turismo é importante para a economia local. Mas, mesmo que tenha sido o ISIS, não dá para dizer que o grupo estabelecerá bases no território tunisiano. O Exército da Tunísia é coeso e preparado para enfrentar esta organização. Não há risco de virar uma Síria ou uma Líbia.

(Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires)